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O blog do Fi

um português em Berlim

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O senhor Rui

Filipe B., 17.07.25

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Por curiosidade.

Vocês sabiam de quem trata a história deste livro antes de o ler?

Eu tenho por hábito não ler sinopses ou comunicados ou mesmo entrevistas extensas dos autores antes de ler a obra. Gosto de ir a seco.

Só li este "Almoço de Domingo" agora e não fazia ideia nenhuma do que me esperava.

Li-o porque é José Luís Peixoto, um dos meus autores favoritos.

É engraçado que comecei a desconfiar de quem seria este "senhor Rui" ao fim de algumas páginas.

Lida a sinopse depois de terminado o livro, acredito que talvez tenha sido esta a intenção do autor. Que descobríssemos o personagem a seu tempo, sem um julgamento prévio. Não há qualquer menção na sinopse nem na capa. Fiquei até a pensar: será que os editores de José Luís Peixoto o leram inicialmente também sem saber o que os esperava?

E ficou-me esta curiosidade. Vocês já o leram sabendo ao que iam ou, tal como eu, foram surpreendidos quando a revelação daquele grande nome (o da empresa) acontece como se nada fosse?

É uma obra-prima da narrativa, já agora. 

Por que é tão caro ler em Portugal?

Filipe B., 05.02.25

Livros que trouxe de Londres.

O Wicked foi um presente de aniversário. Os outros 3 comprei. O do Superman é um clássico e uma preparação para o filme do James Gunn.

O The Extinction of Irena Rey não conhecia (nem à autora) mas estava numa “curated book selection " para literatura contemporânea que o staff da livraria preparou e deixou-me curioso. Daí ser tão importante ir às livrarias. O The Anxious Generation é porque quero compreender a Gen Z e não julgá-la.

Outra coisa. O preço dos livros. Por que é que em Portugal pagamos sempre mais para ler? Cada um aqui custou 9,99£ (uns 12eur). Sem descontos. É o preço base. O The Anxious Generation em Portugal custa 24,90eur! Sei que há custos de tradução envolvidos, mas não é só em Londres que vejo esta diferença. Aqui em Berlin também compro os livros sempre mais baratos e a maioria são de autores estrangeiros traduzidos.

Assim não é fácil pedir que as pessoas em Portugal leiam mais. Ou acabarão todas por comprar mais em inglês, como já está a acontecer com esta última geração de leitores que já domina o inglês como segunda língua. Uma pena.

Autores portugueses e que escrevem em português continuam a ser os meus favoritos, mas sinto que a maioria deixará de os ler se conseguir acesso mais rápido e económico a livros em inglês. Uma pena, sim, mas não posso julgar.

E em breve o Japão

Filipe B., 15.11.24

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Daqui a uma semana estarei já no Japão!

Começo, lentamente, a aceitar esta realidade, mas acho que só acreditarei mesmo quando abrir os olhos em Tóquio.

Foi tudo planeado só em Setembro, assim mesmo à última da hora.

No dia seguinte à marcação do vôo, corri para uma das minhas livrarias preferidas aqui em Berlim e comprei 5 livros de 5 autores japoneses. Todos de épocas diferentes, todos com a sua temática. Uns clássicos, outros mais modernos. 

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Os livros que comprei (em inglês):

Norwegian Wood - Murakami.

Kitchen - Banana Yoshimoto.

Before the Coffee Gets Cold  - Toshikazu Kawaguchi.

Strange Weather in Tokyo - Hiromi Kawakami.

The Sailor Who Fell from Grace with the Sea - Yukio Mishima. 

 

E neste último mês já li 4 destes livros para me preparar para a viagem. Só me falta ler o "O Marinheiro que Perdeu as Graças do Mar" de Yukio Mishima. Talvez seja a minha companhia na viagem para a terra que lhe deu vida, o Japão.  

Podia ter comprado guias de viagem, mas haverá melhor forma de conhecer um país do que através da voz dos seus autores?

Uma das grandes leituras deste ano: Filhos da Chuva!

Filipe B., 07.11.24

Filhos da Chuva - Alvaro Curia.pngPrimeiro, uma confissão.

A leitura inicial deste livro não me cativou. Achei que as partes iniciais talvez precisassem de uma escrita mais limpa e ligeira, o que não significaria tirar-lhe valor. Quem está habituado a ler Afonso Cruz, Valter Hugo Mãe e companhia, sabe bem do que falo. Ainda sobre isso, não invejo o trabalho que deve ter sido essa tarefa de nos apresentar a complexidade de Domínio assim logo de repente e em poucos capítulos.

Esta leitura foi uma sugestão da minha amiga Sandra Barbosa, do programa Páginas Soltas. Apenas me disse: "Tens de ler o Filhos da Chuva de Álvaro Curia. Vais adorar". E ela conhece-me e aos meus hábitos de leitura tão bem, que a sua vaga mensagem foi suficiente para me fazer continuar. Sabia que, depois desta sugestão, algo haveria ali para mim. De resto, já seguia a página de Instagram há anos e a existência desta obra não me era estranha.

Foi por volta da página 60 e no capítulo 6, se não estou em erro, que este livro se transformou aos meus olhos. Foi nesse contar da relação meio trágica meio possessiva de Mãe e Filho que me vi obrigado a fazer uma pausa e deixar-me ficar só no sofá a processar a leitura. Sem que o esperasse, estava já submerso nas águas deste livro.

A partir daí foi uma sucessão de textos de uma sensibilidade, beleza e brutalidade incríveis. José Luís Peixoto diz na capa de Filhos da Chuva: "Há vida aqui". E eu digo: Há talento aqui. Um talento e técnica que poucos têm. Há mestria e há alguém que lê muito, condição que sempre disse ser essencial a quem quer escrever.

Fala-se muito de ler os nossos, os autores nacionais, os portugueses, mas não se fala o suficiente do elogio que raramente é feito. Não se fala de quanto nos acanhamos em elogiar só porque é nosso e porque pode parecer exagerado lisonjeio.

Que este seja feito sem amarras, quando merecido.

E foi por isso que precisei de me sentar e escrever realmente sobre o que acabei de ler. Há passagens e personagens que levarei comigo o resto da vida. Há o Filipe menino estranho (queer), filho, amor, que se encontrou nestas páginas sem nunca o esperar (e agradeço por ter sido mantido esse mistério ou por eu nunca ter lido sobre ele antes de pegar no livro).

E há um nome, Álvaro Curia, que me fará querer ler qualquer livro seu.

Conseguir isso com um primeiro livro é obra.

Entrevista no Páginas Soltas

Filipe B., 29.10.23

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Partilho hoje a conversa tão bonita que tive com a professora Sandra Barbosa no seu programa Páginas Soltas na Rádio TNFM.

Falámos de todo o meu percurso e do meu projecto do Serviço Voluntário Europeu em Itália no Centro Educativo para crianças com necessidades especiais.

E ainda demos um saltinho à minha passagem pela aviação.

Mas o tema central desta entrevista foi, claro, o meu novo livro Entre as Mulheres.

Podem ouvir aqui:

 

 

Assim foi o lançamento do "Entre as Mulheres"

Filipe B., 24.10.23

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Entre as Mulheres. Casa cheia. Livros esgotados. 

Confesso que ainda me admiro muito quando aparece tanta gente para a apresentação de um livro meu.

Sei lá, acho sempre que não vem ninguém, que o livro não interessa, sei lá, pensamentos parvos de um autor que ainda está a habituar-se ao valor que lhe dão. E saber que vocês tiram umas horas do vosso dia para estar ali tem muito valor para mim. 

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O lançamento do livro Entre as Mulheres aconteceu no Teatro Maria Noémia na Meia Via, Torres Novas. Foi um dia muito especial e de muita partilha. Devido aos temas centrais do livro, o autismo e o abandono parental, acabei por ter participação e partilha de experiências pessoais de quem assistia à apresentação, o que tornou esta conversa sobre o livro muito mais especial. Adoro quando não sou só eu a falar. 

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Um agradecimento especial à minha amiga Helena Caetano, gestora de projetos da StartUp, e a Elvira Sequeira, vereadora da cultura na Câmara Municipal de Torres Novas, pela presença e participação com palavras tão encorajadoras.

Um obrigado gigante ao pessoal do teatro da Meia Via por estarem sempre disponíveis para me receber tão bem. E outro à Carina Subtil, que aceitou o convite para ler um dos capítulos do livro. 🧡

Um obrigado, claro, do fundo do coração a quem veio e a quem mandou mensagens e palavras bonitas. Vocês são a minha motivação. Sempre.

 

fotos: Nuno Vasco e Vera Branco

Primeira entrevista sobre o "Entre as Mulheres"

Filipe B., 19.10.23

capa do livro Entre as Mulheres, mãe segura filho pela mão

Aqui está a primeira entrevista onde falo do novo livro.

Foi uma conversa muito interessante sobre o estigma do autismo, o meu Serviço Voluntário Europeu em Itália, a inspiração para os personagens e a dicotomia campo/cidade que criei nesta história.

"Durante o meu projecto de voluntariado, o que mais me custou foi ver que algumas crianças eram, muitas vezes, rejeitadas pelos colegas e até pela própria família só porque eram… diferentes. Quero mostrar com este livro que as nossas diferenças podem ser a base da nossa união..."

Podem ler tudo no blog da editora Intelectual aqui

Revelação do título e capa do livro

Filipe B., 03.10.23

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E aqui está.

Entre as Mulheres é o título do meu novo livro.

Já disponível em pré-lançamento nas livrarias Wook e Bertrand

E é esta a sinopse: 
"Por que motivo tinha o David uma obsessão tão forte com as sextas-feiras, as visitas ao museu e a cor laranja?

Todas as sextas-feiras Marta veste, por exigência do filho, a mesma camisola laranja. Assim o leva sempre a visitar o mesmo museu, de onde uma enorme janela lhes dá vista para um misterioso casarão. Cumprem esse ritual desde que Simão decidiu desaparecer, incapaz de compreender o autismo do filho, deixando-a sozinha com o menino de 8 anos.

Quando a escola suspende as aulas de ensino especial por falta de verbas, o desespero bate à porta. Marta encontra numa associação de voluntários a solução de apoio para os estudos do filho. O voluntário Mateo entra assim na vida de David como professor, trazendo ensinamentos e transformações que ninguém esperava. Também a passagem do tempo arrasta mudanças e Marta sabe que alguns segredos não poderão ser escondidos para sempre. Até onde irá uma mãe para proteger um filho?"

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A capa bonita criada pela editora Intelectual.

Estou ansioso que leiam este livro, para que possamos discutir o que realmente significa a história de Marta e da sua coragem. 

Encontrei uma editora para o meu livro!

Filipe B., 17.08.23

livro aberto sobre nesa

imagem: Pixabay

E é isto. 

Encontrei, finalmente, uma editora para o livro que acabei de escrever há 2 anos.

Desde 2021 que fui tentando. Tive algumas propostas, mas não do meu agrado. Duas dessas propostas eram das tais editoras vanityMas, basicamente, essas são editoras que nos pedem dinheiro para publicar e que, pior ainda, fazem um trabalho terrível de revisão.

Depois tive também dois não, mas agradeci a resposta e o profissionalismo ao explicar a decisão, pois outras editoras nem responderam. É assim. Faz parte. Nunca deixei que isso me contaminasse e deixasse parar. Não guardo rancores. 

E assim, um pouco sem já esperar, surgiu uma proposta de edição que vai ao encontro do que eu procurava. 

É a Intelecutal Editora.

É uma editora pequena (e a equipa foi muito sincera ao comunicar-me isto), mas mostrou respeito pelo meu trabalho, não me pediu somas exorbitantes para publicar aquilo que escrevi com tanto esforço e dedicação, e deixou-me muito feliz ao apostar em mim.

Também sou pequeno. Um autor independente. Somos iguais. No fundo, fiz uma promessa de nos ajudarmos a crescer mutuamente.

Eu gosto muito de trabalhar os meus livros, não só o escrever, mas também tudo o que vem depois, a promoção, as apresentações. E sei que posso trazer esse lado mais dinâmico para aqui.

Não posso partilhar muito para já.

Mas devia-vos isto. Tinha de vir aqui partilhar esta coisa boa.

Ansioso para que possam ler uma história que escrevi do fundo do meu coração.

 

A oliveira de Saramago

Filipe B., 21.12.22

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Hoje visitei a casa de Saramago em Lanzarote.

Quando digo que Saramago é o meu escritor preferido, as pessoas pensam que o é só porque é português ou porque ganhou o Nobel ou porque é ribatejano como eu. E talvez duas destas condições tenham peso na minha preferência, ainda que eu vá sempre negá-lo. Mas inegável é que as nossas vivências comuns nos aproximam. O Nobel é só um prémio. Já Saramago é o meu preferido porque, como nos disse o guia, com as suas palavras eu vejo do que é feita a pedra e não a pedra.

Visitar a sua casa, num lugar tão especial como esta ilha, foi um acto de várias emoções. Começando com o entrar no seu escritório e ouvir "Foi aqui que Saramago escreveu o Ensaio Sobre a Cegueira, primeira obra que realizou em Lanzarote". O Ensaio foi o meu primeiro livro seu, o que me fez apaixonar pelo seu modo de escrever e é hoje um dos meus livros favoritos de sempre. Já aí me caiu tudo, e depois o estar ali no meio dos seus livros, procurando o que lia. E sim, passei bastante tempo a tentar descobrir o que lia afinal o homem que escreveu "O Ano da Morte de Ricardo Reis" (provavelmente o seu livro meu favorito). E então vejo essa mesma obra na estante, ainda com marcadores e anotações do escritor. Um tesouro diante dos meus olhos, que já brilhavam. Incredulidade. Uma sensação indescritível.

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Mas foi no jardim que caí por terra, quando me contaram a história das oliveiras que trouxe do seu Ribatejo (e outra do Alentejo) para a ilha que o acolheu. Foi aí que chorei. Diante do mar, lá ao fundo. Quem já viveu fora do seu país, como eu vivo, sabe bem que passamos a vida a levar oliveiras na bagagem, atrás de nós, connosco, um bocadinho de casa sempre que se parte e reparte. Uma esperança de que estas cresçam no lugar aos quais queremos chamar casa também. No final, sem ar, arrebatado, sentei-me no jardim de Saramago e escrevi.

Que mais poderia eu fazer?