Escrevemos o nome dos filmes dos Óscares que temos pela Netflix, Amazon Prime e Disney+, e tiramos ao calhas.
Ontem calhou-nos o Pieces of a Woman.
Este é um drama pesadão e com emoções fortes sobre o luto e a necessidade tão humana (e tão errada?) de culparmos alguém pelas nossas perdas. Vanessa Kirby mereceu todas as nomeações para melhor actriz num filme que nunca nos deixa ficar só de um lado, mas que, pelo contrário, constantemente nos obriga a ver as diferentes perspectivas de cada elemento da família sobre a perda de um bebé recém-nascido.
Filme carregado de simbolismos, onde a metáfora maior é uma ponte que se vai construíndo, lentamente, conforme a história avança.
Obrigatório ver. Mas preparem-se para uma cena inicial bastante forte e angustiante!
Só um pormenor. Neste pequeno jogo, não vemos os trailers dos filmes, não sabemos praticamente nada sobre eles. Tem sido um exercício engraçado. Já vimos Nomadland e Pieces of a Woman. O que nos calhará hoje à noite?
"Doze naves extraterrestres chegam a vários pontos do mundo e uma tradutora e especialista em linguística é chamada pelo governo dos EUA para se deslocar com uma equipa ao interior de uma das naves, de forma a tentar entrar em contacto com os alienígenas e entender o propósito da sua visita. Vêm em paz? São uma ameaça?"
Arrival (O Primeiro Encontro) é provavelmente o melhor filme deste ano. E um dos filmes mais inteligentes que já vi.
Dizê-lo assim pode parecer suficiente para levar qualquer um a vê-lo, mas agora entramos noutro campo. Este é um filme de ficção científica pura e dura, daquela que te obriga a pensar, que te dá mais questões do que respostas óbvias, mas que te faz sair da sala de cinema completamente atordoado.
Foi o que senti. Saí de lá incrédulo com o que tinha acabado de ver.
Não esperam explosões de 5 em 5 minutos nem naves supersónicas a sobrevoar os céus a cada cena.
Elas, as naves, estão ali paradas... com a mesma inércia que o filme parece ter na primeira metade, quando tudo ainda nos parece estranho, confuso e escuro, ainda que empolgante.
Depois vem a revelação final, quando o filme inicia gradualmente a ganhar mais cor e tu começas aos poucos a entender tudo o que te estão a contar desde o início. E é arrebatador.
Afinal esta poderá ser uma história mais sobre a família, a dedicação e a (in)compreensão humana. Mas debater isso aqui seria levantar demasiados spoilers e não o quero fazer.
Por ser uma obra de um género muito específico, esta película e as questões que levanta passarão ao lado dos espectadores menos atentos e que não buscam este tipo de filosofia numa sala de cinema. Mas aí está Arrivala dizer-nos que nem tudo está perdido no cinema americano das grandes bilheteiras.
Destaque ainda para a actriz Amy Adams e o actor Jeremy Renner, que nos trazem prestações de peso e ajudam a acrescentar muita densidade à história. E um grande aplauso também para a direcção e realização com planos e perspectivas que enchem a vista, sempre acompanhadas por uma banda-sonora de excelência.
Para ver. Pensar. Rever. E repensar.
E que venham daí as merecidas nomeações aos Globos de Ouro e Óscares.