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O blog do Fi

um português em Berlim

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Os presentes que não damos

Filipe B., 05.01.22

 

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O Natal passado foi o primeiro em que não comprei prendas para ninguém. Ninguém.

Eu e o P., cá por casa, assim decidimos.

E foi tão bom, tão libertador.

E olhem que esta é a fase mais estável (financeiramente) da minha vida. Se isso não é uma bela ironia.

Olhando para trás, quando eu menos podia, era quando comprava mais presentes para oferecer.

E eu adoro oferecer prendas. Adoro levar maquilhagem e produtos de beleza para a minha irmã, amo comprar livros, legos e jogos para os meus meninos, e os pequenos mimos para os meus pais, os chocolates para a avó que é uma gulosa, mas fazê-lo em qualquer altura, sem qualquer obrigação. Dá-me mesmo prazer isso tudo. E até gosto mais disso do que propriamente receber algo.

Ontem, visto que o meu aniversário se aproxima, enquanto tomávamos o pequeno-almoço, o P. perguntou-me o que eu queria como presente. E a minha reposta, ainda meio ensonada, foi tão simples quanto isto: “Quero um livro”.

Ele fez aquela cara meio incrédula. E eu repeti: “Sim, quero um livro, não interessa qual, ou o autor, desde que esteja dentro dos meus gostos” (depois mandei-o dar uma vista de olhos pela estante cheia que temos na sala).

Ele faz outra cara, desta vez, um pouco desiludido e diz-me “E o que vão as pessoas pensar quando souberem que só te dei um livro?”

Isto deixou-me triste e pensativo. Um livro é algo tão especial para mim. É uma alegria sempre que recebo um, e fico logo empolgado para o ler e descobrir o que me trazem as suas páginas. Nem sempre gostarei da leitura, como é natural, mas até isso faz parte desta surpresa inicial.

Lá lhe expliquei, mais uma vez, que pouco me importa o que pensarão os outros, só porque não me apetece receber o último ipad ou o novo smartphone de 1000€ da Samsung.

Nada contra. Até posso fazer um pedido desses um dia, e gosto que isso fique em aberto, porque eu também quero poder oferecer-lhe coisas caras se assim for a necessidade e o meu desejo. Comprar por comprar, só porque sim ou por pressão social, isso é que não.

Já o fiz em tempos. Hoje não.

Como já disse antes, é a tal ironia. A minha liberdade financeira trouxe-me isso.

A opção de não gastar.

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