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O blog do Fi

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[ opinião ] Twenty One Pilots: Blurryface

Filipe B., 13.10.16
foto: Rolling Stone

Que esperar de um disco que junta sonoridades do rock, hip hop, reggae, pop e até country e dancehall? Talvez pudéssemos antever daí uma grande confusão. Ainda por cima porque depois esta mistura soa muito a algo indie no final. Mas acredita, tudo faz sentido. E Blurryface é um dos melhores álbuns dos últimos anos. 

Admito que este duo nunca tinha passado muito pelas minhas playlists, ainda que aparecendo de vez em quando em algo que tocava no Spotify (principalmente depois da divulgação massiva do Suicide Squad, filme para o qual fizeram uma música... que não faz parte deste disco). Acontece que ultimamente dei por mim a ver vídeos dos seus live acts... e percebi que parecia haver ali algo de muito diferente e único.

Este Blurryface veio comprovar-me exactamente isso.

Para além de todas as influências de vários géneros musicais que já referi, existe aqui uma sinceridade presente em cada música que faz com que seja obrigatório ouvir cada faixa atentamente. Pelo menos não consigo passar nenhuma à frente. E só isso diz muito. 



Refiro-me, principalmente, à letra que foi escrita para canção. Não há aqui medo de falar de demência ou de um ser que pede que o salvem  da sua própria mente (em Heavydirtysoul, Goner e Fairly Local). Há críticas duras à industria da música actual (Lane Boy) e há até um rapaz que canta sobre as suas próprias fraquezas em Message Man e Stressed Out (chega mesmo a dizer que gostaria de ter uma voz melhor para cantar... como não adorar de imediato algo assim?). 

E depois temos também fortes devaneios em músicas como The Judge e Ride.




Não quero descrever cada uma, pois gostaria de deixar como surpresa alguns dos restantes temas que são abordados.

Termino com um veredicto de 5 estrelas. Este álbum é um lufada de ar fresco numa industria musical que de facto está demasiado saturada e sem grandes novidades a apresentar. E ao contrário do que eles cantam, a voz por detrás de todos estes temas é de facto muito poderosa, talvez não pelo que atinge tecnicamente, mas por todos os sentimentos que consegue transmitir enquanto percorre tantas variações musicais (de ritmo, composição e estilos). Obrigatório ouvir!