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O blog do Fi

um português em Berlim

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Como cheguei aqui... e como foi o curso na easyJet?

Filipe B., 13.04.19



Como cheguei à easyJet?

Esta história começa há muito mais tempo do que se imagina. Em 2017 trabalhava num hotel na ilha da Sardenha e juntamente com um grupo de amigos tentei o teste online (o primeiro passo) para me candidatar como comissário de bordo (cabin crew). Falhei esse primeiro teste. E aqui fica a primeira dica. NUNCA façam esse teste com outras pessoas e no meio de barulho e confusão de outras conversas. Façam-no sozinhos, concentrados e vão ver que é muito melhor.

Como sou muito teimoso, não desisti. Aqui fica a segunda dica. NUNCA desistam de ir atrás do que vocês querem realmente.

Entretanto tinha de esperar mais 6 meses para candidatar-me outra vez e  surgiu uma oportunidade de entrar na Ryanair. Fui à entrevista, passei e atirei-me a isso com toda a garra.

Em Abril de 2018 voltei a candidatar-me à easyJet. Na altura ainda só estava há um mês na Ryanair... mas o meu objectivo sempre foi só ganhar experiência e procurar algo... diferente. 

O convite para ir a um "open day" da easyJet só chegou bem mais tarde, em Novembro desse mesmo ano.

Esse dia aconteceu num hotel em Berlim e depois de passar em todos os testes de grupo, individuais, online e na entrevista final, foi-me oferecido um lugar na easyJet

No dia em que chegou a notícia estava a operar um voo com a Ryanair e foi depois de aterrar que abri o mail e vi que tinha sido seleccionado. Primeiro gritei eufórico. Depois chorei de felicidade. Afinal, tanto tempo passado, tinha finalmente conseguido o que queria. 




Como foi o curso de cabin crew?

Digamos que para quem já tinha feito um curso de comissário de bordo antes, não foi propriamente uma novidade. Mas existem várias diferenças. Começando pelo mais óbvio... os aviões. Antes trabalhava num Boeing 737 e passei para a família Airbus, onde aprendi as especificações para operar voos em Airbus 319, Airbus 320 e 320-186. Parece simples, mas acreditem que todos têm configurações diferentes e o mais difícil foi esquecer tudo o que aprendi antes no Boeing.

Na easyJet o curso teve a duração de 3 semanas e aconteceu no aeroporto de Gatwick em Londres. A companhia paga-nos o voo até Londres, o alojamento (neste caso ficamos no Hilton) e desde o primeiro dia somos funcionários da empresa e estamos a ser pagos enquanto fazemos o curso (maravilhoso, não é?)

Por questões óbvias de segurança não posso dar muitos detalhes sobre o programa do curso, mas posso dizer que as 3 semanas são muito bem divididas entre os temas de Segurança na Aviação, First Aid (Primeiros Socorros) e Customer Service

E temos que estudar muito. Muito. Normalmente as aulas aconteciam das 8 às 17h mas em alguns dias tínhamos alterações no horário. Tivemos 2 dias off e depois outro off, basicamente para estudar e rever matéria. 

Por estarmos na Academia easyJet o curso é muito prático e todos os dias íamos treinar para o simulador, que é basicamente um avião montado só para o curso. Mas os bancos, portas, etc, etc, simulam (lá está) um avião real e isso é excelente para aprendermos onde está o equipamento de segurança, onde são as saídas de emergência, como se combate um fogo dentro do avião, como se entra no flight deck, como devemos agir em caso de descompressão da cabine,  etc, etc.

Essas 3 semanas são muito intensas, principalmente porque passamos muito tempo fechados. E já sei que vão dizer que estou a queixar-me de ficar alojado num hotel Hilton (fancy!), mas acreditem que cheguei a um momento em que já não aguentava aquelas paredes. Safava-se o pequeno-almoço que era brutal. O melhor que já vi em qualquer hotel sem sobra de dúvida. E bem sabemos a energia que era precisa logo de manhã para aguentar tanta matéria.

Tivemos no total 5 exames distribuídos por essas 3 semanas. Dois exames sobre procedimentos de Segurança (Safety e Security), um sobre Dangerous Goods, outro sobre Primeiros Socorros (First Aid) e o final sobre Customer Service.

Quanto aos instructores que tive... só posso dizer coisas boas. Vou levar memórias muito bonitas para o resto da vida. Afinal foram eles que me deram toda a formação e inspiração para fazer o que estou a fazer agora.

Depois de completarmos a formação e passarmos em todos os exames, temos a graduação e esta carinha de felicidade aqui em baixo diz tudo o que palavras não conseguem dizer sobre o que senti nesse dia. Estava pleno, completo, realizado.

É tão bom estar aqui. Dei um passo gigantesco na minha carreira na aviação... e nem eu tinha muita noção do quanto iria ser diferente aqui na easyJet. Mas sobre isso falarei no próximo post.






4 comentários

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    Filipe B. 04.07.2021

    Sim, todo em inglês. Convém ter um bom domínio da língua. Mas no próprio curso se vai aprendendo mais vocabulário, visto ser muito específico para a profissão.
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    Paulo Santos 30.05.2022

    Boas Luis. Possuir tatuagens é motivo de exclusão no processo de recrutamento??
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    Filipe B. 30.05.2022

    Se as tatuagens forem visíveis, sim. Mas se de para tapar (com uma camisa de manga comprida, por exemplo) já não é motivo de exclusão. Eu tenho 2 tatuagens (nas costas) e não foi problema nenhum porque não estão visíveis.
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