A carrinha do Vítor
Filipe B., 03.09.25
A carrinha do Vítor levava a Micas para o trabalho e os cachopos para a escola.
E quem viesse pedir boleia.
Se havia ainda lugar, lá levava mais algum cachopo que tinha adormecido e perdido a carreira.
Levava o grande e o pequeno, a carrinha do Vítor.
De madrugada levava a fruta do mercado, que a Mena era a primeira a comprar ao raiar do dia.
Levava o ti Chico e os homens para a caça.
Levava o Manel Capitão, o pão e o vinho para a moita. Levava os panos da azeitona para a charneca. E as bilhas do gás para a Casa do Povo.
Da moita levava flores da espiga para a Mariazinha.
A carrinha do Vítor tinha um autocolante com o número 47 e levava quem o queria ir ver correr.
Levava o avô Chico quando ele deixou de poder conduzir a sua própria carrinha.
A carrinha do Vítor era a carrinha do meu pai e levou as coisas da minha irmã quando ela foi morar para longe.
Levava-me para a estação de comboio, de onde me via partir a soluçar. Mas depois também me levava a casa sempre que eu regressava à mesma estação.
A carrinha do Vítor levava e trazia.
Abria-se a porta e nela entrava o mundo. Porque a carrinha do Vítor era como o coração do dono.
Pequena, mas espaçosa.
Toda a gente lá cabia.
E quem viesse pedir boleia.
Se havia ainda lugar, lá levava mais algum cachopo que tinha adormecido e perdido a carreira.
Levava o grande e o pequeno, a carrinha do Vítor.
De madrugada levava a fruta do mercado, que a Mena era a primeira a comprar ao raiar do dia.
Levava o ti Chico e os homens para a caça.
Levava o Manel Capitão, o pão e o vinho para a moita. Levava os panos da azeitona para a charneca. E as bilhas do gás para a Casa do Povo.
Da moita levava flores da espiga para a Mariazinha.
A carrinha do Vítor tinha um autocolante com o número 47 e levava quem o queria ir ver correr.
Levava o avô Chico quando ele deixou de poder conduzir a sua própria carrinha.
A carrinha do Vítor era a carrinha do meu pai e levou as coisas da minha irmã quando ela foi morar para longe.
Levava-me para a estação de comboio, de onde me via partir a soluçar. Mas depois também me levava a casa sempre que eu regressava à mesma estação.
A carrinha do Vítor levava e trazia.
Abria-se a porta e nela entrava o mundo. Porque a carrinha do Vítor era como o coração do dono.
Pequena, mas espaçosa.
Toda a gente lá cabia.