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O blog do Fi

um português em Berlim

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[ opinião ] Suburra

Filipe B., 25.10.16


"Suburra é um bairro de Roma e o local de um projecto imobiliário ambicioso. Mas com o Estado, o Vaticano e a Máfia envolvidos... as coisas não são o que parecem."


No que diz respeito à sinopse, fico-me por aí, pois acredito que o filme ganha muito quando se sabe menos sobre ele. 

E no que toca à minha opinião sobre esta obra vou ser já directo. Suburra é um dos melhores filmes italianos de sempre e um dos meus favoritos dentro do género criminal, policial... como lhe quiserem chamar.

Esta película de Stefano Sollima apresentou-nos um trabalho de mestre. É ele o produtor da série de televisão Gomorra (que por sua vez é inspirada no filme com o mesmo nome, de 2008), e que se se baseia também nas turbulentas relações de crime que acontecem dentro da Máfia italiana (neste caso, mais a sul, na zona de Nápoles).

Suburra, por sua vez, leva-nos até Roma e explora as estreitas ligações de poder entre a política, o Vaticano e os mafiosos. 

Não é um filme fácil de digerir. É violento, tanto gráfica como psicologicamente, mas é mesmo por isso, por não ter medo de o ser, que atingiu este estado de perfeição.

Junta-se a isso um casting de actores absolutamente brilhante, uma banda-sonora de topo e uma arte de filmar que traz novas perspectivas, novas formas de contar, de envolver o espectador, e temos um filme absolutamente obrigatório.

Sem revelar demais, destaco apenas o seguinte. Nas suas duas horas de duração há várias cenas que brilham, mas há o momento de um assassinato tão magistralmente filmado e editado que se tornou subitamente num dos meus takes favoritos de todos os filmes que já vi. 

Podia ficar horas a escrever elogios, porque de facto para mim tornou-se um produto de culto, um clássico instantâneo do cinema. 

E já o vi há muitos meses, mas só hoje ganhei coragem para lhe escrever uma crítica. Acreditem que andou durante todo este tempo na minha mente.

Penso que é isso que faz uma obra-prima, não te larga, fica a remoer-te o interior, a obrigar-te a reflectir sobre aquilo que viste. 

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