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O blog do Fi

um português em Berlim

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[ opinião ] A rapariga no comboio (filme)

Filipe B., 13.10.16

NÃO TEM SPOILERS



Esclareço já que não, eu não li o livro mais lido de 2015.

Assim, fui para a sala de cinema com bastante expectativa pelo buzz gerado à volta da obra que inspirou agora o filme. 

E saí de lá um pouco desiludido. 

O filme não é mau, no sentido que não é uma perda de tempo vê-lo. Mas este acabou por dividir bastante a minha opinião.

O ponto negativo é principalmente este: tratando-se de um thriller, cuja função seria deixar-nos ansiosos e à procura de respostas, o filme rapidamente se torna num arrastar um pouco aborrecido, que culmina com um final demasiado previsível (no intervalo eu e uma amiga desvendámos logo o mistério). E acrescento que entrei ali sem qualquer tipo de spoiler sobre a obra. A questão sempre presente - "Quem é o assassino?" - depressa se torna num cliché que nem na sua resolução consegue surpreender. E falo mesmo da forma como nos é apresentada a resposta nas cenas finais, pois já vi outros tantos filmes em que também descobri o vilão antes do tempo, sem ainda assim deixar de ficar colado à cadeira com a forma como nos apresentaram essa cena fulcral (de um género destes)





Por outro lado há algo muito, muito positivo. É impossível não apreciar o magnífico trabalho da actriz Emily Blunt, que atribui à protagonista Rachel uma densidade brutal. A sua prestação é merecedora de um Oscar, sem qualquer tipo de exagero, por todos os pormenores e sentimentos de confusão, perda e loucura que consegue transmitir-nos. E só por isso, valerá a pena dar uma hipótese a este filme. 

O livro continua na minha lista de obras para ler (que é muito extensa), embora tenha perdido já muita da curiosidade que tinha. 

Mas afinal talvez se trate apenas de mais um caso em que a adaptação cinematográfica não faz justiça ao material original. 

E foi impossível não lembrar do magnífico thriller Gone Girl, em tudo muito superior a este A Rapariga no Comboio

[ opinião ] Twenty One Pilots: Blurryface

Filipe B., 13.10.16
foto: Rolling Stone

Que esperar de um disco que junta sonoridades do rock, hip hop, reggae, pop e até country e dancehall? Talvez pudéssemos antever daí uma grande confusão. Ainda por cima porque depois esta mistura soa muito a algo indie no final. Mas acredita, tudo faz sentido. E Blurryface é um dos melhores álbuns dos últimos anos. 

Admito que este duo nunca tinha passado muito pelas minhas playlists, ainda que aparecendo de vez em quando em algo que tocava no Spotify (principalmente depois da divulgação massiva do Suicide Squad, filme para o qual fizeram uma música... que não faz parte deste disco). Acontece que ultimamente dei por mim a ver vídeos dos seus live acts... e percebi que parecia haver ali algo de muito diferente e único.

Este Blurryface veio comprovar-me exactamente isso.

Para além de todas as influências de vários géneros musicais que já referi, existe aqui uma sinceridade presente em cada música que faz com que seja obrigatório ouvir cada faixa atentamente. Pelo menos não consigo passar nenhuma à frente. E só isso diz muito. 



Refiro-me, principalmente, à letra que foi escrita para canção. Não há aqui medo de falar de demência ou de um ser que pede que o salvem  da sua própria mente (em Heavydirtysoul, Goner e Fairly Local). Há críticas duras à industria da música actual (Lane Boy) e há até um rapaz que canta sobre as suas próprias fraquezas em Message Man e Stressed Out (chega mesmo a dizer que gostaria de ter uma voz melhor para cantar... como não adorar de imediato algo assim?). 

E depois temos também fortes devaneios em músicas como The Judge e Ride.




Não quero descrever cada uma, pois gostaria de deixar como surpresa alguns dos restantes temas que são abordados.

Termino com um veredicto de 5 estrelas. Este álbum é um lufada de ar fresco numa industria musical que de facto está demasiado saturada e sem grandes novidades a apresentar. E ao contrário do que eles cantam, a voz por detrás de todos estes temas é de facto muito poderosa, talvez não pelo que atinge tecnicamente, mas por todos os sentimentos que consegue transmitir enquanto percorre tantas variações musicais (de ritmo, composição e estilos). Obrigatório ouvir!