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O blog do Fi

um português em Berlim

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Anomalisa ou o sentido da vida

Filipe B., 24.02.16


Anomalisa é um dos filmes de animação mais estranhos que já vi. 

E isto não é alguma opinião sobre o mesmo, mas sim uma  breve reflexão sobre tantas questões que o filme levantou. 

Para além de ter algo muito psicológico à mistura e de nunca ser completamente directo, este trouxe-me uma dúvida muito pertinente: qual é afinal o sentido da vida?

Em que direcção vamos?

"Sinto-me uma anomalia." - diz uma das personagens a certo ponto. 

O personagem principal é um homem de sucesso, que escreveu um livro para pessoas que trabalham em call centers, dando dicas de relação com os clientes. E se a grande crítica do filme assenta nas mentiras dos customer service representative ( simplificando: pessoas que atendem os clientes), existe também depois o lado destruído do homem que criou esse "negócio" de sucesso. Ele próprio pede aos trabalhadores que sorriam sempre, porque se nota na voz, mas nem ele consegue forçar-se a tanto. Claro que este aspecto a mim tocou-me de uma forma muito pessoal. 

Mas há mais. A desconstrução dos lugares comuns e a forma como joga com os personagens, levantam ainda mais perguntas na nossa mente. Porque é que todos  (ou quase todos...) os personagens têm a mesma voz masculina? Eu entendi (ou penso que entendi), mas não quero revelar porquê aqui.

Nós temos de facto uma percepção real das pessoas que estão à nossa volta? Sabemos o que é ser humano? O que é estar vivo?

Vou andar a pensar neste filme por muito, muito tempo. É a única certeza que tenho. Termino com uma frase que me ficou:

"Cada pessoa, com quem tu falas, teve uma infância. Cada um tem um corpo. E cada corpo tem dores. Procura o que é especial em cada indivíduo. Foca-te nisso." 



[ opinião ] Perdido em Marte: humor espacial

Filipe B., 24.02.16


Devo admitir que, quando comecei a ver The Martian (Perdido em Marte), esperei que fosse uma espécie de Interstellar (o meu filme favorito de 2014, já agora). 

Eu sabia muito pouco sobre este filme do Matt Damon, pois gosto de ser surpreendido. E de facto fui. 

The Martian surpreendeu-me com todo o humor que carrega numa estória aparentemente tão dramática de um astronauta que é deixado para trás numa missão, ficando sozinho, perdido num planeta hostil.

Se o filme nunca deixa de ter o peso de uma estória de sobrevivência, por outro lado dá-nos sempre também o lado cómico do personagem, que até nas situações mais arriscadas tem sempre uma forma mais positiva de olhar para as questões. Para isso recorre-se até muitas vezes a clássicos da música pop/disco como forma de orquestrar alguns delírios (mas não conto mais!).

Isso foi de facto muito refrescante num género, sci-fi, que muitas vezes já deu mostras de precisar de aligeirar alguns assuntos (e é até uma forma que tem resultado bastante bem).

A nível técnico é um filme soberbo. E assume-se como um estado da arte daquilo que deverá ser o padrão dos efeitos especiais nos filmes de ficção científica do futuro próximo.  

Não admira portanto que tenha tido direito à nomeação mais importante para os Óscares da Academia.