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O blog do Fi

um português em Berlim

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Serviço Voluntário: o bloco de notas

Filipe B., 23.02.16
Anda sempre comigo. 

Escrevi este texto no bloco de notas há cerca de 4 meses. São as primeiras palavras que publico daquilo que tenho escrito neste meu fiel companheiro. E talvez as únicas. 


"5/11/2015 - Forlì - 13:48h

Já estou há um mês em Itália. Na verdade completa-se exactamente um mês só daqui a dois dias... mas que são afinal os dias no calendário? Se já parece que estou aqui há bem mais tempo...
Esta coisa da passagem do tempo é mesmo muito relativa.
Agora já tenho mesmo a sensação de estar mesmo a viver aqui. Não estou em visita. 
Há um mês deixei para trás tudo o que era meu. Trouxe comigo a roupa, alguns objectos como recordação. Trouxe-me a mim. Mas os amigos ficaram. A família também. Os meus livros, os meus jogos, o meu quarto. 
E aqui comecei do zero.
Se há momentos em que sinto uma infinita solidão por necessidades tão básicas como a de querer falar a minha língua-mãe e não poder; também há outros (e muito mais intensos!) em que sinto que todos os dias isto é uma conquista. Todos os dias, sem escapar nenhum, há sempre algo inesperado. E se todos os dias sinto saudade, também me sinto um guerreiro, em luta para construir um novo eu que está em evolução constante a cada passo que aqui dá." 

[ opinião ] CAROL: o amor entre duas pessoas

Filipe B., 23.02.16


Anos 50, Carol Aird (Cate Blanchett) está a passar por um divórcio quando conhece Therese, jovem empregada de uma loja de brinquedos de Manhattan. Entre elas surge uma paixão que vai desafiar as regras das suas vidas.

Gostaria que alguém me explicasse como é que filmes como Bridge of Spies e Spotlight estão nomeados para o Oscar de Melhor Filme e este Carol não mereceu sequer esse destaque?

Não é que estes filmes entre si tenham alguma relação, ou que um desprestigie os outros.

Mas Carol afirma-se como uma obra de excelência do cinema em todos os aspectos: da realização à edição, passando pela fotografia, argumento...

E brilhando depois ao máximo com as duas actrizes principais (Cate Blanchett, Rooney Mara) e no campo do som, destacando-se uma banda-sonora impactante e que tem de ser premiada!




E eu sei, tem 6 nomeações para esses prémios do cinema. Não são poucas. Mas falta-lhe ali a mais visível. Merecia pelo menos a honra de constar entre os nomeados do prémio mais importante da noite.

Carol é um dos meus filmes favoritos do ano passado e, dentro da temática LGBTI, provavelmente o meu filme preferido de sempre. 

A sensibilidade, a forma como foi filmado, a mestria e naturalidade com que a estória nos é contada, fazem dele um filme obrigatório. É o filme mais romântico de 2015 e conta a história de uma paixão entre duas mulheres, sem nunca fazer do tema um espalhafato.  
Esta estória de amor vai tocar a todxs, independentemente do tipo de amor que cada um tenha na sua vida. Independentemente de tudo.