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O blog do Fi

um português em Berlim

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[ opinião ] Spotlight: ou o jornalismo de investigação

Filipe B., 22.02.16

Baseado numa história real, este filme mostra como um grupo de jornalistas do Boston Globe conseguiu reunir provas sobre casos de pedofilia na Igreja, expondo o pesadelo através de um acto de jornalismo de investigação. 

Spotlight tem momentos de génio, como a cena em que uma das vítimas está a falar do seu caso, com uma igreja e um parque infantil como pano de fundo. Isso não escapa facilmente ao espectador, mas num diálogo simples e tão natural, o personagem carrega-nos ainda mais com o forte peso da imagem.

O filme tem, também por isso, muitas vezes mais um ar de documentário do que estória que, apesar de basear-se em factos reais, é ficcionada. Destacam-se outros momentos assim (que prefiro não revelar) e ainda um elenco de luxo, de onde destaco a interpretação excepcional de Mark Rufallo, que volta a mostrar todo o talento que tem como actor. 

Não atribuiria a Spotlight o Oscar de Melhor Filme, pois apesar de ter gostado muito, notei-lhe alguns momentos que podiam ter sido melhor explorados. E também porque na corrida estão outros filmes que têm mais valor. Mas dava facilmente o prémio ao Mark Rufallo, pelas razões que já indiquei. Ele será inesquecível neste papel.





[ opinião sobre livro ] - O Príncipe - Niccolò Machiavelli

Filipe B., 22.02.16



Quando escreveu O Príncipe, Maquiavel queria mostrar ao mundo como era dotado para a política (é uma longa estória, mas vale a pena pesquisar mais). Estaria longe de saber que a sua obra seria admirada, estudada, seguida e posta em prática durante todos os séculos que se seguiriam à sua publicação.

Falamos de um livro que foi escrito no século XVI em (e para) Firenze (Florença). Todo o livro é dirigido a um dos Medici, família que então governava a cidade, numa Itália que ainda nem estava unificada. 

E eu escrevo estas linhas no século XXI, tanto mas tanto tempo depois. 

Só isso bastaria para sublinhar (uma vez mais, já que tanta gente já o fez) a real importância que tem esta obra nos nossos dias, principalmente depois de termos assistido à ascensão e queda de vários regimes ditatoriais (de várias espécies) no decorrer do século passado. 

Se o termo maquiavélico se tornou um adjectivo com um peso brutal, deve-o de facto a este autor, que frontalmente se atreveu a escrever sobre os actos e esquemas da política de uma forma absolutamente assustadora mas que nos dias que correm... já não assusta tanto. Vivemos numa era em que temos acesso a muita informação, em que já presenciamos escândalos políticos de todo o tipo e se por um lado isso tira algum peso ao livro, por outro ajuda a justificar ainda mais a sua importância e relevância na actualidade. 

Outro pequeno problema é que nota-se perfeitamente que muito se perdeu na tradução, pois muito era também fruto da visão do autor sobre o seu tempo, escrito para alguém que vivia na mesma época. E com certeza que ele não esperava que o texto chegasse tão longe no tempo, certo?

Deixou-me literalmente de boca aberta em várias passagens, mergulhado na incredulidade (à medida que pensava de imediato em casos políticos que já vi de perto!)

Mas não deixei de sentir muita empatia com o autor. Ele foi maquiavélico, sim, mas no sentido em que teve a coragem de pegar num assunto e confrontá-lo de uma forma muito, mas mesmo muito directa e sem suavizar as questões. 

Maquiavel foi apenas sincero nos conselhos que escreveu. O que outros fizeram depois, em actos, através das suas palavras, já é outra História. 


P.S. - já que estou a viver em Itália e como já visitei Firenze (2x), estive na própria cidade a ler este livro, visitei os locais em que o autor viveu... enfim, toda uma outra experiência!  E era só para me armar um bocadinho agora (ahah!).