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O blog do Fi

um português em Berlim

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Mas que mal te fiz eu?

Filipe B., 07.02.16


Eu. Um indivíduo ao acaso numa sociedade qualquer.

Quanto mal te posso ter feito que te leva assim a sair à rua a gritar contra mim?

Mas alguma vez eu me importei se tu podias casar-te ou adoptar uma criança?

Pensas em mim quando escreves essas palavras de ódio nesses cartazes? Imaginas uma pessoa quando pintas essas letras? Ou idealizar um ser humano é demais para a tua compreensão? 

Que terei eu feito que despertou em ti essa fúria?

Eu. Uma pessoa qualquer num lugar aleatório. Eu, na minha vida, sem me importar.

Imaginas sequer o que sinto quando escreves esses comentários que desejam a minha morte?

Conheces-me? Ou conheces algum dos meus amigos? Alguém da minha família?

Conheces pelo menos alguém que ficaria triste se eu por acaso de repente fosse aniquilado pelo desrespeito que semeias?

E porque gritas contra mim

Eu já gritei contra ti

Alguma vez na minha intimidade eu me chateei sequer com a tua existência?

Eu quero lá saber quem és ou o que fazes! E tu, porque queres tanto saber de mim?

Porque não podes sequer seguir a tua vida sem interferir com a minha?

Que te importa se amanhã não me caso? Que te interessa se quero ter filhos como tu?

Porque tens de o exibir na TV, rádio, jornais...?

Mas que mal te fiz eu, afinal?

Eu, um indivíduo qualquer, numa comunidade, sociedade, lugar do mundo, sei lá, onde não quero ser mais do que eu próprio.

E tu: porque queres ser tanto nas vidas que não são tuas?

Já pensaste por acaso que nessa manifestação em que gritas ódio contra mim poderás também estar a mostrá-lo a algum dos teus, da tua família, dos teus amigos, colegas, que também os odeias?

Que mal te fizemos nós?

Respondes?

[ opinião ] JOY: a alegria de Jennifer Lawrence

Filipe B., 07.02.16


Baseando-se numa história real, este filme conta como Joy Mangano (Jennifer Lawrence) se tornou uma das empreendedoras com maior sucesso nos Estados Unidos da América

De início, o filme adverte logo que se baseia nessa história, mas que tem algo de livre ao basear-se também nas vidas de outras mulheres igualmente desafiadoras e bem sucedidas (e anónimas). 

Depois entramos num drama que é muitas vezes elevado à comédia, com caracterizações hiperbólicas dos personagens ou situações que se aproximam do bizarro. Gostei especialmente da mãe que nunca sai do seu quarto porque está depressiva e sempre a ver telenovelas. Fez-me rir bastante.

Joy tem assim um tipo de humor que eu aprecio muito, mas não deixa de ser estranho que esse seja o ponto mais fraco do filme, pois muitas vezes o realizador deixa transparecer a ideia de que não se sabe muito bem para onde nos dirigimos, se para algo sério sobre a vida da mulher que inventou uma esfregona revolucionária (e só de pensar nisto, dá-nos logo para rir) ou se é suposto apenas olharmos para tudo sem grande importância.

Mas penso que é por isso mesmo que tantas vezes se chama dramédia a este género.

Vale a pena ser visto, principalmente pela actuação brutal da Jennifer Lawrence (nomeada para o Oscar por este papel) e que mais uma vez se assume como uma das melhores actrizes do cinema actual. Não esquecendo, claro, Robert De Niro e Bradley Cooper