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O blog do Fi

um português em Berlim

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4 questões / 4 respostas

Filipe B., 25.08.15

Fizeram-me estas questões no Facebook e Instagram. Aqui estão as minhas respostas absolutamente sinceras.

Ana Ribeiro: O Tomé tem semelhanças contigo?
Eu digo sempre que não, que somos muito diferentes. Mas há pessoas que me conhecem muito bem, que leram o livro, e dizem que o Tomé tem muito de mim. Talvez tenha e eu nem me aperceba. 

Cátia Cardoso: Achas que as pessoas que não lêem são menos sábias do Que as que lêem?
Quando lemos, seja um romance, um livro técnico, uma revista... aprendemos sempre algo, nem que seja o mínimo de alguma informação. Por isso acho que as pessoas que lêem são mais sábias, sim. E quem não lê devia passar a ler. Afinal, não é proibido. Faz bem e é até um direito que se tem, a que muitos não dão o devido valor.

Ana Ribeiro: Qual a parte mais difícil de escrever?
Em termos de criar uma estória, penso que é o final. Para mim é sempre difícil acertar com o fim. E acho que não devo ser o único a pensar assim. No acto de escrever, eu distraio-me muito facilmente. Às vezes basta um som para me fazer perder o fio de uma ideia. Por isso, quando escrevo, tenho que estar o mais isolado possível. 


José Diogo Madeira: Uma coisa que te arrependas de ter feito e uma coisa que te arrependas de não ter feito?
Essa coisa do "não me arrependo de nada" às vezes parece muito bem, mas a realidade é que arrependo-me de ter passado demasiado tempo entre noites longas e ressacas duras. Isso é algo que vou explicar muito bem no livro biográfico (e tenho noção de que vou magoar algumas pessoas com isso). Mas hoje em dia tenho a certeza absoluta de que quando vivemos adormecidos pelos efeitos do álcool, não conseguimos ter noções exactas sobre a nossa vida, as nossas relações. Por isso 'na noite' e no 'pós-noite' há muitos momentos que não correspondem à realidade, as coisas são vividas a extremos, entre a alucinação e o cansaço. E daí surgem muitas discussões e problemas. E claro, nem para escrever isso ajuda. Mas para isso vão ter que comprar o livro para saber mais (ahah!!). De resto, arrependo-me de não ter feito uma viagem a Marrocos que esteve mesmo marcada. Acabei por deixar passar e depois já não consegui ir. Mas ainda é algo que posso fazer, claro, e é um dos países que quero muito conhecer.


Religião e sexualidade: “Ser lésbica não faz de mim o anti-cristo”

Filipe B., 24.08.15

Temvinte e poucos anos e o ar jovial que se esperaria de alguém da suaidade, embora isso contrarie de certa forma as marcas do sofrimentode que falaremos a seguir. É ela quem me conduz até ao bar ondeiremos ter esta conversa informal.
          Estamos em Fátima,terra de milagres e aparições. Mas hoje a discussão vai para alémda religião, correndo o risco de cair sobre aquilo que muitos(ainda) consideram pecado.

           Assumir aos outros a suaorientação sexual não terá sido uma tarefa fácil. “Quandofalava com o meu melhor amigo sobre relações que tinha, punha umele em vez de um ela - é assim que expressa a primeiradificuldade, a de conseguir dizer a alguém tão próximo que a suaorientação sexual era...diferente. Depois de ganhar coragem parafazer a revelação, tudo melhorou: “Desde que lhe contei que sintoque a nossa amizade ficou mais próxima e forte, porque tambémpassei a ser sincera em tudo o que contava”.
Mas isso não significaque todos os amigos tenham já conhecimento dessa realidade. Afamília sim, está a par da sua sexualidade. “Acho que chega a ummomento da tua vida em que tens de contar à tua família. Senãochegas aos 40/50 anos e dizes o quê? Inventas um marido falso sópara enganar?”.
         Antes disso tentou, noentanto, disfarçar a atracção que sentia por pessoas do mesmosexo: “Também tive relações com rapazes, mas nunca houvecontacto sexual, e não duravam muito tempo, cansava-me… porquesabia que não era isso que eu queria”. Daí veio uma decisão.“Pensei: não vale a pena estar a viver a vida toda como uma pessoaque não sou. E depois disso tive a minha primeira relação com umarapariga”.
          Mas como é que percebeuque era assim? A resposta é directa. “Desde miúda que me lembroque quando via televisão o que comentava eram as raparigas… seeram bonitas ou não. Tinha muita falta de informação sobreassuntos LGBTI, pois nunca tive um contacto directo. Sempre soube oque era, mas não sabia a definição exacta do que era, só sabiaque havia algo que não estava correcto. Foi isso que me levou aprocurar mais informação e apoio profissional: fui a umapsicóloga.”
         E é assim que recordacom emoção o dia da primeira consulta. “Tinha uma depressão.Sentia que tinha coisas cá dentro que precisava de deitar cá parafora. Depois de sair da consulta vim o caminho todo para casa achorar no carro. E quem foi comigo não sabia de nada do que estava adeixar-me assim, mas quando falei à psicóloga sobre a minhaorientação sexual, ela disse-me logo que era isso, o medo de serassim, que estava a deixar-me em baixo.”
         “Custava-me muitoouvir a minha mãe com comentários homofóbicos como: Se uma filhaminha fosse assim, antes queria que ela fosse drogada”. Usa essafrase para justificar o motivo de se sentir mal com a sua sexualidadee admite que gostou muito das consultas que se seguiram, recomendandoesse tipo de apoio a quem achar que pode precisar dele. “Ir àpsicóloga foi das melhores coisas que fiz, fartei-me de falar econtei-lhe que tinha uma relação com uma rapariga. Foi um grandeapoio e até a minha mãe chegou a ir falar com ela. E foi depoisdisso que decidi contar aos meus pais.”
       Daí surgiu a vontade deajudar outras pessoas e é com orgulho que conta: “Percebi que comoeu haveria milhares de jovens a sofrer por isso. Pesquisei eencontrei os sites da ILGA e da rede ex aequo (rea). Inscrevi-me nofórum da rea e passei a ficar atenta aos projectos que tinha. Sentinecessidade de me voluntariar para ajudar outros jovens.”

        
           Talvez por isso queiracontar uma experiência que diz ter mudado a sua perspectiva sobre oassunto que coloca em confronto religião e sexualidade. “Numencontro de jovens católicos, num momento de oração, confessei-mea um padre. Senti necessidade de falar com ele. Foi uma conversa caraa cara, não foi nada dentro daqueles confessionários tradicionais,e abordei essa questão. Eu tremia da cabeça aos pés. Mas ele foidirecto e disse-me para nunca deixar de ter a minha fé e para nãodeixar os bons princípios e ensinamentos, porque não deixava de sermenos cristã pela minha orientação sexual. O facto de ser quem sounão faz de mim o anti-cristo.
        E é assim que, em jeitode confissão, revela a sua maior mágoa. “Tenho a minha fé,estudei num colégio católico e uma coisa não implica com a outra.Acho que é possível frequentar eventos católicos falandoabertamente da minha sexualidade, mas uma das coisas que mais mecusta é saber que não posso casar-me pela Igreja”.


Quadrado, cima, baixo.

Filipe B., 21.08.15


Como não se podia evitar, a hora de nosdespedirmos acabou por chegar.
Uma voz na minha cabeça mantinha-me a dúvida: como é que voufazer isto?

Não vinha uma instrução para isso em algum livro. E não é quedespedir-me de alguém fosse uma novidade, se passei a vida a fazê-lo, mas pareciadestreinado.

Então demos um abraço forte, apertamo-nos um contra o outroe rapidamente já estava a vê-lo misturar-se entre a multidão, sem que euconseguisse acompanhar todos os seus passos.

Se pelo menos aquelas pessoas pudessem desviar-se, por magia,e deixar-me aproveitar aquela imagem até ao último momento...

Mas não podiam. Estavam todas demasiado ocupadas nas suasdemandas para por acaso cederem alguma atenção aos meus desejos.

Senti-me sozinho, por fim. Mas foi nesse momento que umsorriso reconfortante rasgou a minha face. Afinal tinha sido mais difícil doque eu esperava. E ainda bem. É que o meu maior medo era que esse fosse umnível fácil de jogar. E se eu não sentisse algo assim? E se fosse indiferente edemasiado simples?

Mas estava na dificuldade máxima e sem dicas que meajudassem, concluí.
Como a minha mente encontra sempre forma de colorir os seuspensamentos mais ou menos absurdos, foi com desperta imaginação que ocupei o lugar em direcção ao meudestino, sentindo-me envolto numa luz que ofuscava tudo à minha volta. 

Nível superado, com todas as conquistas e novos poderesadquiridos.

Peguei no bloco de notas e escrevi um pouco sobre isso, antes que a inspiração me fugisse.


Quando terminei, tinha a face molhada de um líquido queescorria dos meus olhos. Tratava-se, com certeza, de algum efeito especial destastecnologias da nova geração.

Maria Israel: "Dizem-me que devo continuar, mesmo versando um tema tão pesado."

Filipe B., 18.08.15



Maria Israel é a autora do livro "A Redenção de Guadalest". Falei com a escritora acerca do seu livro e também sobre violência doméstica e reencarnação, temas que serviram de base à estória que escreveu.  

1 - "A Redenção de Guadalest" fala sobre os mistérios da reencarnação e também sobre um tipo de violência física ou emocional entre um homem e uma mulher.  O que é que a levou a juntar estes dois temas tão diferentes?
O facto de serem dois temas que me são queridos.  Quem gosta de temas que versam uma certa espiritualidade, não dirá que estes dois temas são assim tão antagónicos. Esta pergunta não é fácil de responder, diria até que é bastante difícil, mas ao longo do livro e com o desenrolar da história as respostas vão-se revelando e vai-se compreendo o que as une. Segundo algumas pessoas que já leram o livro, ele tem ao longo da historia pistas e alertas que podem ajudar as mulheres vitimas de violência doméstica a acreditar que podem vir a mudar a sua vida e não perder a fé. Diria que este livro é para além de um romance, um forte grito de esperança assim como uma homenagem a todas que sofreram ou sofrem de tão abominável flagelo social, cultural e económico.
2 - E como é que foi trabalhar nessa junção? Como é que foi o processo de escrita deste livro
A autora e os seus livros.
Foi fácil! Foi fácil trabalhar com eles, porque são dois temas que me tocam muito. Como mulher que lidou muito com mulheres que mitigavam amor e recebiam em troca infidelidade, maus tratos físicos e psicológicos, diria que foi algo que, se por um lado foi doloroso, por outro ... o lado da reencarnação foi algo que me fascinou muito. E diria até que a vida, se não for assim, não faz sentido.
3- Tem recebido comentários dos leitores? O que lhe dizem?
Os comentários são muito favoráveis e como já fiz referência nos agradecimentos aquando da minha apresentação no Algarve, são muito gratificantes. Diria até que a cada apresentação e a cada contacto com os meus leitores sinto-me cada vez ais grata e mais consciente, por constatar que o propósito que me fez escrever este livro começa a dar seus frutos. A Redençao de Guadalest foi escrita para homenagear as mulheres que sofreram maus tratos, digo sofreram, porque me refiro a Mulheres que já partiram. Mas tambèm às que sofreram ou sofrem ainda esse flagelo, infelizmente ainda desmesuradamente enraizado nos povos latinos. Há dias pedi aos meus seguidores do facebook a opinião pessoal do porquê deste flagelo: será uma questão cultural, educacional ou tão “somente” económica? Como tal, concluo que os comentários são gratificantes. Que me dizem? Dizem que devo continuar e que querem mais, mesmo versando um tema tão pesado.
4 - Como autora da Capital Books, neste primeiro ano da Editora, qual é a retrospectiva que faz de toda esta fase de publicar um livro?
Para quem há um ano atrás estava muito quietinha no meu ninho esperando uma cirurgia complicada, onde tinha como uma das hipóteses regredir o trabalho de quase três anos de recuperação após um AVC, sair do hospital e oito dias depois estar a assinar contrato com a Capital Books, é no mínimo uma aventura sem paralelo. De então para cá fiz duas apresentações, tenho mais duas agendadas para breve. Já participei no Livro Todos por Um, uma coletânea de contos para comemorar o primeiro ano da Capital Books , com o meu conto Sabedoria, que mais posso dizer e desejar? Muita saúde para continuar a escrever, que é o que me esta a dar muita força para continuar. É o que me dá muito prazer fazer e dá alento para superar o que a falta de saúde me levou, mas vou conseguir.    
6 - Um autor favorito, tem?
Tenho muitos e para não ter que deixar alguns de fora, direi que gosto de vários, principalmente dos que me pegam logo nas primeiras páginas como foi o teu O dia em que nasci, que desde já aconselho vivamente a todos a lerem.Adorei e, apesar da idade que nos separa, revi-me no teu livro. E desejo uma vez mais: Parabéns! Outros autores... para não deixar nenhum para trás, fico-me pelos mais recentes que li: Luísa Ramos, de quem recomendo vivamente "Nas Brumas da memória" e "Na Valsa da vida".
7 - E um livro preferido?
Tantos... um que me marcou: "Ilusões" de Richard Bach, que surgiu pouco depois da minha filha mais velha falecer. Foi muito marcante...
Lançamento do livro na sede da APAV em Lisboa.

8 - O seu livro teve a sessão de lançamento na sede da APAV. Imagino que tenha sido um dia memorável, estou certo?
Foi sem duvida! Ele foi para além da realização de um grande sonho como autora, foi também o culminar de outro sonho que era dar voz às mulheres que sofrem desse tão doloroso drama e incomensurável flagelo que é a violência domestica. 
9 - Quer deixar alguma mensagem especial para quem estiver a ler esta entrevista?
A todas as mulheres que sofreram ou ainda sofrem: não desistam. A lei está a mudar. 

La Grande Belezza: belo cinema italiano

Filipe B., 17.08.15

 La Grande Bellezza é uma crítica mordaz à alta sociedade italiana, mas não só. O filme arrasa completamente alguns conceitos da arte moderna e das... "perfomances", dos "artistas", "escritores", etc. Se virem vão perceber porque coloquei essas palavras entre aspas.  

Contando a estória de um escritor que chega aos 60 e poucos anos sentindo-se perdido, sem um sítio onde realmente ficar, e apenas com um livro escrito em tantas décadas de vida, o filme leva-nos por vários estilos e espaços, numa viagem pela decadência e falsidade da sociedade dos ricos (e dos coleccionadores de arte).

Há uma cena que a meu ver resume tudo o que o filme nos quer transmitir.

Um homem de meia idade, que está a escrever uma peça de teatro, declama alguns versos da mesma à sua namorada muito mais nova, que se entretém a snifar um risco de cocaína. Quando ele termina, ela diz apenas: "Escreveste uma merda". E é nesse tipo de ambiente que o filme vive a maior parte do tempo.


Obrigatório ver, mas não é para todos, pois o seu estilo por vezes psicadélico pode não ser de fácil interpretação para quem procura uma mensagem simples e directa. 



A tristeza de Madonna

Filipe B., 17.08.15
[ este texto foi escrito em 2012, após o concerto da MDNA Tour em Coimbra ]



De há uns anos para cá já não se fala de Madonna – dos clips, das tours – sem referir a sua idade. É um facto.
“Com 53 anos e faz isto… wow!”. É sempre com esse tom de espanto que usamos a sua idade para de certa forma provar que a Rainha continua bem activa e a dominar os palcos do mundo. Mas esse espanto tenta também esconder um assunto delicado a que muitos fãs nem são capazes de se referir. A idade de Madonna avança e, embora ela esteja a surpreender-nos mais do que nunca, pela ordem natural da vida já sabemos que o seu reinado não durará para sempre (com a Rainha no activo).
E por isso mesmo, neste espectáculo gigantesco a que assistimos em Coimbra, foi o vídeo-interlúdio de Nobody Knows Me que mais me fez reflectir e… chorar. Sim, chorar, muito, porque o vídeo retrata realidades que são de facto assustadoras e demasiado próximas para que o possamos ver sem nos deixarmos emocionar. Mas também porque a certa altura vemos o rosto de Madonna ser envelhecido entre efeitos visuais brutais que culminam numa montagem de notícias onde pudemos ler isto: “Madonna, too old for pop”. O resto do vídeo traz um sabor amargo. Vemos nada mais, nada menos do que a Rainha a despertar as nossas consciências para causas sociais, políticas e religiosas que a mesma já contestava no início da sua carreira. E o sabor amargo cresce quando vemos que afinal, por muito que certos assuntos tenham evoluído, Madonna deve sentir uma pequena revolta interior misturada com tristeza por ver que o mundo não evoluiu assim tanto como ela poderia pensar há uns 20 anos.
A Rainha tem afinal ainda uma missão, levar uma mensagem através dos seus shows. Mas porque o faz? Poderia apenas ignorar e tornar o show um lugar de festa, sem nos magoar com estes vídeos tão… realistas. Mas nós precisamos disso. Ela sabe.
E ninguém o faz como ela. Ninguém o faz como Madonna. Focando-me no resto do espectáculo, digo o que toda a gente diz: só há uma Rainha, e é a Madonna.
E a Rainha Madonna de agora é a mesma que daqui a uns anos vai deixar-nos.
Vai deixar primeiro a sua família, depois os seus amigos, depois os seus fãs e depois o mundo.
E por muito que o seu M seja de Marketing, por muito que estes assuntos sejam puxados por ela para causar impacto também na sua carreira, o mundo (tanto a parte que a ama, como a que a odeia) vai sentir falta da Rainha Madonna defensora das causas sociais.
Olhamos à volta e quem vemos que seja capaz de continuar o legado? No reino da música pop, povoado de princesas e baronesas, quem poderá afinal dar continuidade (não substituir) um trabalho tão extenso e imparável como tem sido o de Madonna?

Ninguém.

Automaticamente estou a excluir cantoras pop com carreiras de 2 ou 3 anos, para que fique claro, pois parece-me que precisamos de alguém com uma carreira minimamente sustentada em hits intemporais/marcantes que consigam levar um estádio ao êxtase como Like a Prayer fez no último domingo.

Mas não há ninguém.

Simplesmente não há ninguém que consiga mobilizar tantas pessoas, passando por várias gerações, despertar tantas consciências.
Um dia vamos acordar com a triste notícia de que a Rainha está ‘too old for pop’, e noutro dia acordaremos com outra notícia ainda mais triste.

Nesse dia o seu trono ficará vazio, mas o seu cargo será eterno, como de resto será eterno o cargo ocupado pelo seu Rei, que também já nos deixou.
Aos poucos a música pop vai ficando mais pobre. E por enquanto ainda temos esta mulher que – e quem a viu nos ensaios vai perceber esta muito bem – não é nada mais do que uma pessoa comum como nós, mas com um poder imenso, uma técnica muito bem estudada e uma vontade soberba de, ao mesmo tempo, agradar ao mundo que a idolatra e mudar o mundo que a odeia.

Até esse dia chegar vamos aproveitar tudo o que a Rainha tem para nos dar. Mas não vamos negar a sua tristeza. Não vamos negar que do alto do seu trono, a Rainha olha para o seu mundo e vê toda a crueldade que o habita.Vê também que, ao contrário do que diz a música, o tempo passa agora mais depressa, tic tac, tic tac, o relógio não pára. Se nos focarmos, por exemplo, na poderosa reinvenção que fez agora do seu clássico Like a Virgin, teremos mais uma prova de que a Rainha também se sente frágil, que também está consciente de tudo o que escrevi e de que não é intocável, como muitos pensariam. Afinal ela transformou uma música divertida num tema capaz de levar às lágrimas o ser mais insensível. E se nos lembrarmos do seu discurso de apelo à paz entre os homens, notamos algum cansaço de quem já vem a pedir o mesmo há muitos anos. Mas a vontade de mudar está lá, como está a Rainha. Elas estão lá, de mão dada. E se elas querem que mudemos o mundo, de que estamos à espera?

Afinal somos nós, conhecedores e seguidores do seu trabalho, os únicos capazes de continuar o seu legado. 

E não vamos deixar a Rainha triste, antes que o tempo passe e fiquemos nós consumidos pela tristeza do dia em que ela nos deixar.

Nolan: o génio moderno

Filipe B., 16.08.15
Vou dar início a uma série de posts no blog sobre realizadores de cinema que nunca realizaram um filme do qual eu não tenha gostado. Posso ter gostado mais de uns, menos de outros, mas a única premissa é escolher sempre alguém que nunca me tenha levado a reclamar de tempo perdido no cinema. E digo-vos já, isto é mais difícil do que parece!



Começo com Christopher Nolan.

Descobri-o com Memento, que foi um filme que se tornou de imediato num dos meus favoritos de sempre, pela forma revolucionária como nos contava uma estória aparentemente simples. Este filme é do ano 2000 mas eu só o vi por volta de 2004, quando já tinha também estreado Insomnia (2002) e apenas um pouco antes do seu primeiro passo no universo do Cavaleiro das Trevas com o excelente Batman Begins, em 2005.

Ainda assim, por eu ser um grande fã do Batman nos comics, fiquei apreensivo quando soube que ele ia realizar o reboot, trazendo-nos uma nova imagem do herói. Claro que eu não podia estar mais enganado e esse primeiro filme foi logo uma grande sucessão de WOW's

Nolan trouxe-nos depois, logo no ano seguinte, The Prestige (O Terceiro Passo), que é um grande filme, mas que já não se consegue destacar entre as obras que se seguiram. 

The Dark Knight (O Cavaleiro das Trevas, 2008) provou-nos que era possível uma sequela ser melhor que o filme inicial, tornando-se automaticamente num clássico épico na colecção de filmes do Batman. 

E foi dois anos depois que Inception (A Origem) levou milhares de novos fãs ao cinema, que tinham sido conquistados de vez com o filme anterior. Se há coisa que este Inception fez foi provar que de facto Christopher Nolan é um dos melhores realizadores da actualidade. A forma como ele dirige tudo está bem explícita nos seus filmes, principalmente nas sequências de acção, que trazem sempre alguma abordagem nova e diferente daquilo a que estamos habituados. Só Inception e The Dark Knight têm cenas que são inesquecíveis, para sempre memoráveis.


Com a conclusão épica da trilogia Batman, Nolan entregou-nos em 2012 o grandioso The Dark Knight Rises (O Cavaleiro das Trevas Renasce), destruíndo por fim as dúvidas de quem ainda achava que do cinema de super-heróis não se podiam extrair óptimos filmes. 

E foi também nesta fase que decidi que ele era completamente um dos meus realizadores favoritos de sempre. Não havia uma única película da qual eu não tivesse gostado muito. Começou-me a parecer que caminhava portanto para um pico em que de repente algum filme dele iria desiludir-me tremendamente.

E foi nessa preparação que recebi as primeiras notícias sobre Interstellar, a primeira verdadeira incursão de Nolan na ficção científica (das estrelas). Não me perguntem porquê, mas vi o primeiro teaser, depois o primeiro trailer, depois o segundo e só conseguia pensar que isto não era terreno para este realizador explorar. Esperei-o com expectativas muito baixas, sinceramente.

Acontece que Interstellar arrasou comigo. Foi, para mim, o melhor filme de 2014 e o que sofreu mais injustiças a nível de prémios (nem uma nomeação para Oscar de Melhor Filme, A SÉRIO?!).




E é por todas estas razões que considero este Homem como um dos génios do cinema moderno. Tudo o que ele realiza tem algo de especial, algo que nos levanta ínumeras questões pertinentes (não é à toa que ele escreve a maior parte dos guiões, em conjunto com o irmão). E não posso terminar sem referir isso mesmo, pois Jonathan Nolan (o irmão) tem sido um constante aliado na escrita destes filmes e acredito, por isso, que muito do que foi conseguido, não o teria sido sem essa colaboração entre os dois.

Os meus filmes favoritos são os da imagem em cima.

It Follows: um filme perturbador

Filipe B., 14.08.15


Uma rapariga começa a ser perseguida por "algo" após envolver-se sexualmente com um rapaz.É só isso que vou dizer sobre a estória do filme. Nem vos vou mostrar o trailer, pois eu também não o vi antes do filme, e penso que ir completamente de surpresa para isto, torna-se muito mais assustador logo de início. E coloca-nos na pele dos protagonistas, que não sabem nada sobre aquilo que os... segue.




It Follows é um filme que foi brilhantemente filmado, com planos e sequências que apavoram os nossos sentidos, e é por isso que é um dos melhores filmes de terror dos últimos anos. Mas eu nem diria terror, prefiro chamar-lhe perturbador. Juntemos a isso uma banda-sonora e efeitos sonoros muito bem conseguidos nos momentos certos e... é preparar-se para ficar colado à cadeira. Não esperem muitos sustos repentinos, esperem antes aquele ficar no suspense arrepiante do que vai acontecer a seguir... 


Obrigatório ver. Tanto para quem gosta do género, como para quem apenas aprecia cinema do bom. É que este é de facto um dos melhores filmes deste ano, em qualquer categoria.

Vota no nome de duas personagens

Filipe B., 14.08.15

A sequela do meu primeiro livro, O Dia em que Nasci, já está a ser escrita.
Mas quero que vocês também façam parte desse processo. Por isso conto com a vossa ajuda para me ajudarem a escolher o nome de duas personagens deste segundo livro. 

Só para terem uma base, para a vossa escolha, vou explicar o contexto dessas personagens.

São duas mulheres, com cerca de 45 anos cada, que são amigas e vivem juntas numa casa num meio rural. A meio do livro essas duas mulheres acolhem o Tomé e outra personagem, oferecendo-lhe abrigo e protecção numa breve passagem que por ali fazem. 

Votem nos vossos nomes preferidos, aqui em baixo.

Esta é uma forma única de terem também a vossa marca num livro que não é só meu, que também é vosso.

Ganham, claro, os dois nomes vais votados até ao próximo dia 1 de Setembro.

[ têm que votar num nome de cada vez, mas podem votar quantas vezes quiserem  ]


Quais são os teus nomes preferidos?
 
pollcode.com free polls

"É por não sermos iguais que o mundo e a vida têm interesse."

Filipe B., 12.08.15


Cristina das Neves Aleixo é a autora do livro infantil Joaninha e o Jardim Encantado, publicado este ano pela Capital Books. Numa conversa muito interessante, falei com a Cristina, entre outros assuntos, sobre  a mensagem que quer passar com esta sua primeira aventura na ficção para crianças (e adultos)


1 - Como é que foi o processo de escrita do livro "Joaninha e o Jardim Encantado"? E de onde surgiu a ideia de escrever um livro infantil?O processo foi muito simples. Pensei como adulta e como criança, ou seja,  o que eu queria transmitir em termos de valores e o quepensaria e sentiria estando a recebê-los. Escrever para crianças é muito complicado, na medida em que os pequenos leitores são muito atentos aos pormenores e também porque temos que criar formas suavizadas, digamos assim, de colocar o que queremos passar; por outro lado é extremamente simples, pois quanto mais simplificarmos melhor será o resultado. No mundo infantil não existem complicações. Se seguirmos essa lógica o trabalho fica facilitado.A ideia de escrever um livro infantil surgiu da vontade de escrever uma estória para o meu filho. Privei muito de perto com crianças em situações de saúde extremamente complicadas e quis mostrar a todas, às que, de alguma forma, por esta ou aquela razão, não se sentem bem na sua pele e a todas as outras a quem isso não acontece, como viver isso. Claro que só abordei um ou outro aspecto da questão, que é muito mais vasta do que possamos pensar, mas num conto infantil temos que simplificar. Estou muito satisfeita com o resultado. Creio ter alcançado o meu objectivo.

2 - Podemos dizer que a literatura infantil, mais do que os restantes estilos, tem sempre um carácter pedagógico?

Na minha opinião deveria ser sempre assim pois as crianças "absorvem" tudo o que vêem, mas verifico que muitas vezes isso não acontece. Não nos podemos esquecer que estamos a dirigir-nos a alguém que está em formação e que é, ainda, extremamente influenciável pelo que vê e lê. Se nós, adultos, nos deixamos "marcar" por determinado livro imagine-se as crianças e nesta linha, creio que qualquer autor de estórias infantis deve ter um sentido de responsabilidade acrescido. Basta lembrar-mo-nos de como éramos na nossa infância, que é coisa que quase todos os adultos, infelizmente, tendem a esquecer. 



3 - E nesse sentido, qual é a mensagem que quer passar com este livro?

A mensagem principal é a de que há pessoas fisicamente diferentes mas isso não importa para nada, pois na realidade e apesar de parecermos todos semelhantes, mesmo que perfeitinhos, somos diferentes na medida em que cada um de nós tem diferentes aptidões. É precisamente pelo facto de não sermos iguais que o mundo e a vida têm interesse. Isso faz com que existam desafios e complementaridade. Basicamente tento demonstrar que a beleza da vida reside na diversidade e que o contrário é um grande aborrecimento.

4 - Falando agora de outros livros, o que tem lido ultimamente?

O último livro que li foi o "Entre o silêncio das pedras" do Luís Ferreira, meu colega de editora, e gostei bastante. Estou neste momento a ler o mais recente do meu antigo professor de Escrita Criativa, Pedro Chagas Freitas, "Queres casar comigo todos os dias, Bárbara?"  

5 - E um livro favorito, tem?

Tenho vários. Os meus gostos literários são muito eclécticos - leio desde uma boa banda desenhada a um livro técnico -, mas destaco o "Crónica dos Bons Malandros", do Mário Zambujal, "Aventuras de João Sem Medo, do José Gomes Ferreira, "Memórias de uma Gueixa", do Arthur Golden, "Orgulho e Preconceito, da Jane Austen, "Memorial do Convento", do José Saramago e o legado da Agatha Christie. Fico-me por aqui pois a lista é extensa.

6 - Se pudesse passar uma hora com um grande autor, quem escolheria para uma interessante conversa?

Escolhia a Agatha Christie. Creio ter sido uma mulher extremamente inteligente e com uma invulgar capacidade criativa, o que me fascina. Além disso o género de mistério e policial agrada-me bastante e ela foi, ainda é, a Dama do mistério - não sei se algum dia haverá alguém como ela. Penso que seria uma conversa deveras interessante com a comunhão das nossas "células cinzentas".

7 - Visto que já publicou o primeiro livro, qual é agora o maior sonho que deseja realizar no futuro?

É continuar a escrever livros, que os leitores gostem do que lhes ofereço e peçam mais. Passei a minha vida profissional fazer coisas que não me eram muito apelativas, agora que estou, finalmente, a fazer o que me completa não pretendo parar. Sempre escrevi, por necessidade física e mental, apenas não publicava o que escrevia mas era, sem dúvida, o meu grande sonho: escrever e pôr à disposição de todos o que escrevia. O sonho concretizou-se e pede encore.


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