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O blog do Fi

um português em Berlim

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O estar longe

Filipe B., 05.04.24

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No momento em que soubemos que o pai teria de fazer quimioterapia, o meu voo para Berlin partiria daí a 2 horas.

Tinha entrado com ele naquele hospital, esperado com ele por aquela consulta, e o tempo parecia acelerar e só aumentava o medo de que tivesse que deixá-lo sozinho por ter de correr para o aeroporto.

Era uma manhã bastante cinzenta em Lisboa. Nem o cenário lá fora me ajudava. Quando me preparava para descer e ir embora, o médico chamou-nos. Entrei e ouvi tudo calado. Senti esperança, não sei bem porquê, mas não senti a angústia que esperava.

Daí a uns minutos já o nosso carro voava por uma avenida qualquer em direcção ao aeroporto. Despedi-me com o abraço forte de sempre. Não, este não foi diferente. Passei a segurança, pouco seguro, mas com tranquilidade. Quando aquele avião descolou, só me apetecia, não sei como, agarrar-me à terra e impedi-lo de sair dali. Aí sim, caíram-me lágrimas tão pesadas, talvez pela pressão, pela gravidade.

Depois cheguei a casa. Berlin e o meu ninho aqui. Entrei tranquilo, já longe, mas sabendo que era pelo melhor. Sabia que a minha vida aqui me permitiria dar-lhe mais, se necessário.

Não muito tempo depois, chegou-me o convite para o novo trabalho, novo curso, nova estrada. Sozinho, questionei-me várias vezes se conseguiria, se mentalmente estaria no lugar certo. Mas lá fui. Durante a formação, eram mais as vezes em que contava os minutos para lhe poder ligar do que aqueles em que conseguia concentrar-me na matéria. Como estás. Já comeste. Como foi hoje. Está tudo bem. Vou estudar. Vai comer. Tenho de estudar. Não te esqueças. Vai comer qualquer coisa. Outra vez.

E a certa altura já se misturavam as mensagens e os papéis de pai e filho. Na última semana do curso, recebemos os dois boas notícias. Eu passei e ele fez o último tratamento. Se vos disser que soltei um suspiro tão grande que tremi, não é exagero. Acho que sustive esse suspiro durante este tempo todo. Senti o meu corpo relaxar, amolecer, e nessa noite dormi como não dormia há muito tempo.

Quando acordei, tudo continuava igual, só a nossa proximidade era maior, embora os quilómetros nunca tivessem diminuído entre nós.

Natal não é bem isto

Filipe B., 26.12.23

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O meu Natal, desde que cresci para lá da minha zona de conforto e me pus a correr o mundo, passou a ser muito diferente daquilo que tinha sido ensinado sobre o que significava celebrar estes dias.

Em vários anos, por culpa do trabalho na aviação, passei-o literalmente nas nuvens, a voar bem lá em cima, a levar pessoas de um lado ao outro, juntando famílias e amigos enquanto eu próprio ficava longe dos meus. Nunca me arrependi de me voluntariar para trabalhar nesses dias (a empresa dava-nos essa opção) e, como havia colegas que tinham fillhos pequenos e tal, não me custava abdicar disso, sabendo que outra pessoa podia aproveitá-lo melhor. Guardo até memórias bonitas desses voos (sobretudo quando os passageiros nos traziam chocolates, pastéis de nata, cartões com mensagens bonitas e mais...).

Antes disso, quando participei no projecto de Serviço Voluntário Europeu em Itália, já o meu Natal tinha sido bem diferente. Éramos voluntários. Não tínhamos muito dinheiro. Então eu e mais duas voluntárias, sozinhos na noite de 24, fomos ao supermercado e comemos uma pasta barata com pesto e mais um panettone gigante que estava em desconto. Soube-me pela vida. Ensinou-me a valorizar o pouco. O dia 25 passei-o sozinho, mas tranquilo, e a fazer a mochila para viajar para Florença, onde cheguei no dia 26 (em Itália ainda se festeja esse dia). Fiquei num hostel baratinho, partilhando um quarto, não comi uma única vez em restaurantes para poupar dinheiro, e hoje é das minhas melhores memórias da época. Quem já esteve em Florença, saberá bem porquê...

Em 2018, já a trabalhar na aviação, calhou-me não ter de voar nesse dia. Fui, com mais duas amigas portuguesas lá da companhia áerea, servir à mesa na consoada para os sem-abrigo e idosos que não tinham família em Frankfurt (onde morava na altura). No meio de centenas de pessoas que lá estavam a jantar, encontrei um velhote português que vivia lá sozinho. Emigrante na Alemanha há muitos anos, viúvo, longe dos filhos, acabara por ficar só naquela noite e juntou-se à celebração. A alegria dele quando nos ouviu falar português... e as histórias que nos contou, tão bonitas, tão nossas, encheram-me o coração.

Este ano consegui vir passá-lo cá a Portugal. Mas vou ser muito sincero, esta quadra aqui deixa-me sempre um sabor agridoce. Aqui, na ânsia de fazer tanto e fazer mais que toda a gente e mostrar que se tem uma mesa cheia de extravagâncias, fazem um stress e barulho tão grande com mil pratos e mil doces que só não me tiram a alegria toda porque sou um guloso e essa capacidade de me isolar no meu mundinho daquelas memórias anteriores ainda está bem viva.

Este foi também finalmente o ano em que não comprei presentes. Zero. Nos anteriores ainda ia comprando para os putos, pais, mana. E adoro oferecer. Mas irei fazê-lo noutra data. Foi uma sensação de liberdade.

Por outro lado, desta vez consegui estar o mês de Dezembro todo em Portugal (já tenho saudades da minha casinha em Berlin, confeso) e consegui acompanhar o meu pai numa operação, nas visitas ao hospital, na sua doença, idas ao médico, fazer-lhe a comida, levá-lo à fisioterapia, passar horas a falar com ele, pôr-lhe os cremes na cicatriz a ver se se vai embora mais depressa, deitá-lo confortável e quentinho na cama. Enfim, simplesmente cá estar.

E acho que o maior presente este ano foi mesmo esse: estar presente.

O nosso tio João

Filipe B., 05.12.23

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Há algo de devastador em fazer uma viagem de milhares de quilómetros para chegar à adeia, a casa, e ouvir apenas o silêncio.

Foi avassalador entrar hoje na casa do tio João e não o encontrar lá. Sentei-me no banquinho de madeira onde sempre me sentava quando a gente se punha a falar. E assim fui vendo e revendo todas as suas criações expostas naquelas paredes, as figuras de madeira, os versos, os textos, as fotografias.

Na última vez que estive em Portugal fui fazer a visita habitual ao tio João. Lá estava a estante de livros que sempre me dá aquele conforto. O conforto que trazem as memórias das tardes da infância e adolescência, passadas ali, a escolher livros que levava para ler. Foi assim que me apaixonei pela leitura. Foi assim que lá descobri o meu refúgio. Foi assim que comecei a escrever a sério. Nenhum livro meu existiria se não tivesse existido primeiro o meu tio João.
 
Desta última vez, ao despedir-se de mim, disse-me ele: "Tenho muito orgulho no homem que te tornaste". E eu só respondi: "Tive um bom professor". Dei-lhe um beijo e um abraço. Depois subi a rua, até à casa dos meus pais, de lágrimas nos olhos. Sabia bem o que significavam aquelas palavras do tio. Sabia bem que o tempo tinha passado, que já não era o Filipe pequenino e inocente a escolher livros daquela estante. Sabia que a vida havia seguido o seu rumo natural e que eu algum dia haveria de não chegar a tempo de o abraçar mais uma vez.
 

Hoje o tio João já não está lá, mas tudo o que ele foi, a sua pessoa, está ali à vista de quem quiser ver. Um autêntico museu que não conta só a sua história, mas a de todos os que lhe foram contemporâneos.

E essa história não ficará por contar.

Aqui fica a minha promessa.

 

imagem: Pixabay, FelixMittermeier

O Pedro e a Carolina

Filipe B., 01.11.23

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Estava a ver o podcast/programa A Duas Vozes da Carolina Deslandes onde ela fala com Pedro Abrunhosa, logo um dos maiores autores portugueses. 

Foi por volta do minuto 13:45' que ele disse algo que me despertou para qualquer coisa que também se passou comigo, mesmo sem eu dar conta. 

Explicando como começou a viajar sozinho pela Europa muito novo, com apenas 13 anos, Pedro Abrunhosa revelou algo curioso:

"O Portugal pessimista, com vergonha de si próprio, não me chegou a contaminar, porque de repente vejo-me lá fora, português, igual a tantos outros miúdos de outros países e achava que era igual na cultura e conhecimento. E quando regressava, vinha com a ideia de que Portugal é um país fantástico que produzia coisas interessantíssimas de partilhar com aquela gente."

Primeiro, deixem que vos diga: que homem tão inteligente!

O que ele diz sobre o Portugal com vergonha de si próprio é tão real, embora se calhar quem só está dentro não o veja assim. 

Eu, um português em Berlim, depois de viajar muito em trabalho e lazer, depois de viver vários anos cá fora e em diferentes países e cidades, comecei a dar muito mais valor ao que se produz em Portugal.

Já ouvia, mas comecei a ouvir ainda mais música portuguesa, Carolina incluída, e sem a vergonha de assumir que gosto de uma pop portuguesa leve, mas também de uma mais pesada, bem como de outra mais chiclete.

Quando se vive algum tempo em países como Itália e Alemanha, como foi o meu caso, vê-se que eles consomem tanta música sua.

Vão lá espreitar os tops italianos. É incrível. E há para todos os gostos.

Quando trabalhei num hotel na Sardenha, em Itália, fazia parte do grupo de animação e a maior parte das músicas que nós dançávamos eram hits italianos. Fazendo o mesmo tipo de trabalho em Portugal, só tocávamos música americana, espanhola ou sul-americana. Não me lembro de uma única música portuguesa fazer parte do trabalho. E porquê? É essa vergonha implícita? 

Aprendi muito com isso em Itália. E hoje, mesmo já não vivendo lá, continuo a devorar música italiana.

Há ainda outro factor, no meu caso, pois tendo passado os últimos 7 anos sempre a falar em inglês, italiano e alemão no trabalho, com umas conversas em português, espanhol e francês pelo meio, fui perdendo muito vocabulário ou a agilidade da minha própria língua (acreditem, isto acontece!). Isto de falar várias línguas é incrível, mas tem os seus custos. Ouvir muita música portuguesa, bem como ler muito em português, foi essencial para me manter próxima à minha língua-mãe.

Talvez me tenha tornado no típico emigra que só ouve música portuguesa, mas a verdade é que hoje o meu Spotify toca sobretudo música nossa. Tanto ouço um fadinho com Amália ou Ana Moura (que até vi ao vivo aqui em Berlim este ano), como relaxo com um rap ou hip hop tuga do Slow J (um artista que idolatro!) ou Dillaz, sendo este o estilo que mais consumo por agora. Mas também adoro a pop sem receios da Carolina Deslandes, André Seravat e Inês Monstro, a novidade que traz o fado da Sara Correia, a intervenção liricista de A garota não ou a africanidade maravilhosa do último álbum da Soraia Ramos (ela que já foi uma emigrante como eu). E sou obcecado com a composição do Pedro Mafama, que já conhecia bem antes da explosão do Preço Certo. Vão la ouvir o Por Este Rio Abaixo, um álbum com letras incríveis que ele escreveu e compôs bem antes de chegar à...fama.

Mas ouço muito mais, muito mais mesmo. Estes são só alguns exemplos. E mostro muita música portuguesa aos meus amigos estrangeiros. Da nova e da antiga. E muitos adoram os nossos sons e ritmos.

Quando falo com amigos portugueses, que continuam no nosso país, muitos deles nem sequer conhecem metade dos artistas que ouço...

Parece que em Portugal há a vergonha da própria língua, que se for em inglês soa melhor, que o mesmo ritmo latino em espanhol, embora tenha os mesmos valores de produção de uma Ana Malhoa, desliza melhor.

Que raio de mania!

E logo nós que temos poemas tão lindos na nossa música, não é Pedro?

 

 

 

foto: Pedro Abrunhosa e Carolina Deslandes - Instagram

Entrevista no Páginas Soltas

Filipe B., 29.10.23

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Partilho hoje a conversa tão bonita que tive com a professora Sandra Barbosa no seu programa Páginas Soltas na Rádio TNFM.

Falámos de todo o meu percurso e do meu projecto do Serviço Voluntário Europeu em Itália no Centro Educativo para crianças com necessidades especiais.

E ainda demos um saltinho à minha passagem pela aviação.

Mas o tema central desta entrevista foi, claro, o meu novo livro Entre as Mulheres.

Podem ouvir aqui:

 

 

Assim foi o lançamento do "Entre as Mulheres"

Filipe B., 24.10.23

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Entre as Mulheres. Casa cheia. Livros esgotados. 

Confesso que ainda me admiro muito quando aparece tanta gente para a apresentação de um livro meu.

Sei lá, acho sempre que não vem ninguém, que o livro não interessa, sei lá, pensamentos parvos de um autor que ainda está a habituar-se ao valor que lhe dão. E saber que vocês tiram umas horas do vosso dia para estar ali tem muito valor para mim. 

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O lançamento do livro Entre as Mulheres aconteceu no Teatro Maria Noémia na Meia Via, Torres Novas. Foi um dia muito especial e de muita partilha. Devido aos temas centrais do livro, o autismo e o abandono parental, acabei por ter participação e partilha de experiências pessoais de quem assistia à apresentação, o que tornou esta conversa sobre o livro muito mais especial. Adoro quando não sou só eu a falar. 

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Um agradecimento especial à minha amiga Helena Caetano, gestora de projetos da StartUp, e a Elvira Sequeira, vereadora da cultura na Câmara Municipal de Torres Novas, pela presença e participação com palavras tão encorajadoras.

Um obrigado gigante ao pessoal do teatro da Meia Via por estarem sempre disponíveis para me receber tão bem. E outro à Carina Subtil, que aceitou o convite para ler um dos capítulos do livro. 🧡

Um obrigado, claro, do fundo do coração a quem veio e a quem mandou mensagens e palavras bonitas. Vocês são a minha motivação. Sempre.

 

fotos: Nuno Vasco e Vera Branco

Primeira entrevista sobre o "Entre as Mulheres"

Filipe B., 19.10.23

capa do livro Entre as Mulheres, mãe segura filho pela mão

Aqui está a primeira entrevista onde falo do novo livro.

Foi uma conversa muito interessante sobre o estigma do autismo, o meu Serviço Voluntário Europeu em Itália, a inspiração para os personagens e a dicotomia campo/cidade que criei nesta história.

"Durante o meu projecto de voluntariado, o que mais me custou foi ver que algumas crianças eram, muitas vezes, rejeitadas pelos colegas e até pela própria família só porque eram… diferentes. Quero mostrar com este livro que as nossas diferenças podem ser a base da nossa união..."

Podem ler tudo no blog da editora Intelectual aqui

Vivemos em pequenas caixinhas

Filipe B., 16.10.23

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Aos 20 os nossos pais já tinham comprado ou mandado construir casas enormes com divisões que hoje estão vazias.

Nós vivemos em pequenas caixinhas apertadas e pagamos o dobro.

Ou o triplo.

Eles construíram tantos quartos e salas de estar e salas de jantar e despensas e garagens que hoje só apanham o pó que os filhos emigrantes deixaram ao fechar a porta e sair de repente.

Noutros casos, os quartos de criança voltam a abrir-se para receber o filho que torna ao sítio, de onde só devia ter crescido para o mundo, porque nem uma caixinha pequenina pode pagar.

É isso. Nós não mandamos construir nada.

Nem compramos já feito porque há outras prioridades.

Ou vivemos com os pais em ambientes disfuncionais onde o tempo grita e grita que já não devíamos ali estar. 

Ou vivemos no estúdio de 30m2, ou menos, ou mais, com uma sala improvisada, uma banheira imaginária, dois bicos no fogão e uma mesinha-de-cabeceira que já foi uma caixa de sapatos.

Mas ao descer o prédio, temos logo aqui ao lado o café que nos vende os vanilla matcha soy bio vegan latte a 6 euros e está tudo bem.

 

 

imagem: Canva

 

Chegaram os primeiros exemplares do meu livro

Filipe B., 12.10.23
 
 
 
 
 
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E é um sentimento que não tem descrição.

Ter o meu novo livro assim nas mãos.

Estou ansioso para que possam ler.

Disponível nas livrarias Wook e Bertrand

Lá na terapia

Filipe B., 09.10.23

imagem com várias pessoas com diferentes sentimentos, alegria, amor, tristeza.

Image by gstudioimagen1 on Freepik

Um dia destes, falando com alguém que sei ter passado por alguma violência e até uma doença complicada há uns anos, lá sugeri que talvez fosse melhor procurar alguma ajuda profissional.

Foi um daqueles momentos em que não se sabe bem como dizê-lo, pois mandar alguém fazer terapia ainda custa, por muito que se fale no assunto hoje em dia. E também porque isso é sempre uma decisão extremamente pessoal.

Neste caso, sublinhei, falar comigo e com outros amigos e familiares, já não seria suficiente... a meu ver.

Para criar algum conforto, dei o meu próprio exemplo: "Por que achas que andei 2 anos em terapia? Há traumas que nem sequer..."

Logo fui interrompido, obtendo uma resposta que justificou só por si o porquê de ser tão difícil falar ou sugerir isto a alguém.

"Mas tu vais-te abaixo mais facilmente do que eu". - ouvi.

Há uns anos talvez me calasse.

Desta vez fui sincero: "Quando comecei esta fase de terapia nem foi por estar exactamente em baixo, muito pelo contrário, foi porque parei... reflecti e vi umas coisas que precisavam de ser tratadas".

E é verdade. 

Estava até numa fase boa. Novo trabalho, que adorava, Nova cidade, que adorava. E por aí fora.

Antes de terminar e mudar de assunto, acrescentei apenas: "Procurar terapia não é ir abaixo, é ir para cima".

Há ainda tanto a desmitificar sobre este assunto. E é óbvio que uma pessoa estando mesmo lá em baixo irá, espero eu, sentir mais necessidade (ou urgência) de procurar ajuda.

Mas às vezes são traumas, são coisas desarrumadas num grande salão e que devem ser colocadas em caixinhas e gavetas, para tornar a estadia nessa divisão o mais agradável possível.

Claro que mexer no velho levanta pó e causa alergias e comixão nos olhos. E isso assusta. Ninguém gosta de olhos lacrimejantes. 

Mas lágrimas limpam. 

E limpar é essencial.